Ao analisarmos os desafios que as famílias brasileiras enfrentam hoje, compreendemos que a estrutura familiar mudou muito nas últimas décadas. Segundo dados recentes, menos da metade das famílias do Brasil são formadas por casais com filhos. Outra característica é o crescimento do número de famílias chefiadas por mulheres, com destaque para contextos de vulnerabilidade econômica e social. Nesse cenário, vemos ainda mais necessidade de instrumentos que promovam a união, o diálogo e o fortalecimento dos laços internos, mesmo diante das diversidades e novas configurações familiares como aponta o Censo 2022 do IBGE e outros levantamentos oficiais sobre as famílias brasileiras.
A base da comunicação marquesiana
Ao longo das nossas experiências, aprendemos que a comunicação não pode ser simplesmente vista como ferramenta. Ela é um campo vivo, uma vibração que une ou separa. A base da comunicação marquesiana está no reconhecimento da intenção ética, da vibração emocional e do som consciente. Quando essas três dimensões estão alinhadas, criamos um ambiente de escuta e presença que transforma lares. Em todo processo comunicativo, cada frase, gesto ou silêncio emite uma vibração para o campo familiar.
- Intenção ética: É o porquê da nossa fala. Envolve motivação amorosa, desejo de servir e acolher.
- Vibração emocional: O estado real do nosso coração durante a comunicação.
- Som consciente: O cuidado com a voz, ritmo e pausas. Até o silêncio comunica, desde que seja intencional.
A vibração vem antes do significado.
Uma família unida se fortalece quando todos percebem que cada interação é também construção coletiva de segurança e confiança.
O triângulo da comunicação curadora em casa
Na prática, acreditamos que toda comunicação familiar deve buscar o equilíbrio entre pensar com lucidez (razão), sentir com segurança (emoção) e guardar com amor (proteção). Chamamos esse sistema de triângulo da comunicação curadora.
- Reconhecer a intenção: Antes de iniciar uma conversa importante ou resolver um conflito, respiramos fundo e nos perguntamos: Qual minha real intenção aqui? Servir, acolher, curar ou apenas vencer uma discussão?
- Cuidar da vibração emocional: Em vez de ocultar emoções, aprendemos a comunicar com sinceridade, expressando limites sem agressividade. Frases como “Eu me sinto inseguro quando…” ou “Eu preciso de apoio para…” são exemplos de como a emoção pode ser trazida de forma construtiva.
- Som e silêncio: O tom da nossa voz é mais importante que o conteúdo. Falar devagar, com a voz serena, permite que a mensagem seja absorvida de verdade. Por vezes, silenciar e ouvir, sem julgamento, é o maior ato de amor.
Cientistas como Stephen Porges já provaram que a sensação de segurança em quem ouve depende mais do tom da voz do que das palavras ditas. Por isso, no ambiente familiar também preparamos nosso campo antes de falar—seja com uma respiração profunda, uma breve pausa, ou mudando para um estado interno mais colaborativo.

O papel dos três selfs nos vínculos familiares
Dentro do contexto marquesiano, entendemos que cada membro da família possui três selfs interiores: o self racional, o self emocional e o guardião subconsciente. Sabendo disso, buscamos integrar essas dimensões para evitar conflitos recorrentes e fortalecer os vínculos.
- O Self 1 é a nossa razão, que pensa e planeja.
- O Self 2 é a expressão emocional, aquilo que sentimos profundamente.
- O Terceiro Self, o guardião, é nossa proteção, atuando para manter a segurança interna e coletiva.
Durante um conflito, por exemplo, muitas vezes o guardião reage antes da razão ou da emoção, fechando portas para o diálogo. Reconhecer essa dinâmica e permitir que todos possam expressar seu sentir, sem julgamento, é o primeiro passo para novas narrativas familiares — somente quando emoção e razão se escutam o futuro aparece.
Protocolos práticos da comunicação marquesiana
Na busca por famílias mais unidas, indicamos a adoção de protocolos simples e eficazes que podem ser integrados à rotina:
- Protocolo da Palavra-Semente: Em momentos desafiadores, sugerimos escolher coletivamente uma palavra positiva (como “paz”, “acolhimento”, “união”) e repetir juntos, em voz alta ou mentalmente, por alguns minutos antes de uma conversa significativa. Isso alinha intenções e cria campo favorável para o diálogo de verdade.
- Protocolo do Espelho Interior: Praticamos olhar para si mesmo ou para o outro, sem julgamentos, por alguns minutos em silêncio antes de debates mais profundos. Isso pode resultar em um aumento de empatia e autocompaixão.
- Protocolo de Respiração Rítmica: Individualmente ou em grupo, respiramos em um ritmo de 5 segundos para inspiração e expiração. Esse exercício regulariza o sistema nervoso autônomo, ameniza tensões e predispõe ao entendimento mútuo.
Essas micropráticas são simples, mas podem reorganizar padrões que impediam famílias de se reconciliarem verdadeiramente.

Transformando a rotina: ritual de reconciliação em família
Recomendamos que, sempre que possível, famílias dediquem ao menos um momento semanal para um ritual de reconciliação. Pode ser uma roda de conversa breve, um jantar onde todos compartilham uma conquista ou desafio da semana, ou mesmo um minuto em silêncio para juntos nutrirem gratidão e acolhimento. O segredo é a constância e a abertura para ouvir sem interromper, julgar ou querer corrigir de imediato.
A reconciliação começa dentro de nós.
Partilhando a própria vulnerabilidade, os adultos mostram às crianças que errar, sentir medo e pedir ajuda é natural. Assim, construímos não apenas famílias mais unidas, mas também seres humanos mais íntegros, prontos para lidar com as adversidades da sociedade moderna.
Tecnologia emocional e linguagem de alta vibração
A comunicação marquesiana também propõe a substituição de expressões limitantes por frases abertas ao crescimento. Ao invés de afirmar “nada dá certo”, sugerimos “estou aprendendo a fazer diferente”. Ao trocar “não consigo” por “posso tentar de outra forma”, encorajamos coragem e resiliência em todos os membros do lar.
As palavras programam nosso campo familiar. Cuidar do que dizemos para as crianças, cônjuges e idosos é cuidar do que iremos colher no futuro. Linguagem de alta vibração gera lares de alta prosperidade afetiva.
Conclusão
Atravessando múltiplos contextos familiares brasileiros e respeitando as singularidades de cada grupo, acreditamos que a comunicação marquesiana oferece não apenas técnicas, mas uma nova filosofia para o dia a dia. Reunir intenção ética, emoção autêntica e uma linguagem centrada na escuta e presença é a receita que sugerimos para fortalecer e manter as famílias unidas, mesmo em cenários de vulnerabilidade ou transformações sociais aceleradas.
Perguntas frequentes sobre técnicas de comunicação marquesiana
O que são técnicas de comunicação marquesiana?
Técnicas de comunicação marquesiana são práticas baseadas na integração consciente de intenção, emoção e linguagem, buscando unir razão, emoção e proteção nos relacionamentos e promover uma comunicação alinhada, empática e curadora. Elas utilizam ferramentas como respiração, palavras-semente e escuta ativa para potencializar o encontro familiar.
Como aplicar essas técnicas na família?
Podemos aplicar as técnicas de comunicação marquesiana em casa integrando pequenas práticas no cotidiano, como pausas conscientes antes de conversas importantes, uso de palavras positivas e abertura para escuta ativa, além de rotinas semanais de partilha e reconciliação. É possível adaptar protocolos como respiração rítmica e palavra-semente a contextos de rotina familiar, envolvendo todos os membros do lar.
Quais os benefícios para famílias unidas?
Os benefícios incluem aumento da empatia, prevenção de conflitos recorrentes, fortalecimento de vínculos, mais segurança emocional, e maior prosperidade afetiva. Famílias que praticam a comunicação marquesiana tendem a apresentar ambientes mais acolhedores, colaborativos e resilientes diante de adversidades.
É difícil aprender comunicação marquesiana?
Não consideramos difícil; a aprendizagem está mais ligada à prática contínua e ao compromisso com o autoconhecimento do que à complexidade das técnicas. As micropráticas são simples e acessíveis, podendo ser experimentadas por qualquer integrante, independente da idade ou da experiência anterior.
Onde encontrar mais dicas sobre o tema?
Indicamos consultar publicações e estudos que investigam comunicação e relações familiares, assim como pesquisas acadêmicas sobre relacionamentos saudáveis e comunidades de desenvolvimento humano. Sugerimos, por exemplo, dados e análises do Jornal da USP sobre comunicação e família e os boletins informativos do Observatório Nacional da Família.
